Sabe Deus quando, há milhares de anos, o primeiro ser humano levantou os olhos aos céus, e quedou-se, fascinado, tentando entender o que significavam aquelas luzes maiores e menores, brancas, azuladas, amarelas, alaranjadas, vermelhas, pois com a limpidez do céu, podia-se distinguir melhor essas cores do que hoje em dia.
Enquanto observava, quem sabe foi surpreendido com algum pequeno cometa, riscando a atmosfera e desaparecendo em uma fração de segundo, consumido pela sua própria luz e calor. Deve ter pensado, então, que os céus estavam lhe dando algum sinal, e sentiu-se intrigado e, ao mesmo tempo, honrado.
Aos poucos, ele e seus colegas de grupo, foram conseguindo entender um pouquinho dos ciclos naturais, e começaram a identificar os diversos corpos celestes e agrupamentos de estrelas. Começaram, então, a nomear o que se via, associando, como não podia deixar de ser, o desconhecido com coisas conhecidas.
Assim nasceram os nomes das constelações, assim começou-se a cartografar essa imensidão celeste.
Os seres humanos dessa época não precisavam ler Jung para entender sobre sincronicidade: eles a viviam, naturalmente, pois não existia nenhum cético racionalista contestando a validade da experiência e observações diretas.
Logo perceberam, que conforme os acontecimentos no céu, aconteciam coisas aqui na Terra também, e que haviam relações entre os tipos de acontecimentos. Aí surgiram os primórdios do que seria depois a Astrologia.
Esse desafio constante, que sempre impeliu quase todos a olharem para o céu e se perguntarem sobre a natureza das coisas, sobre o tamanho e forma desse Universo, foi e provavelmente sempre será o maior desafio ao conhecimento humano, e a maior inspiração para astrólogos, poetas, filósofos, sonhadores, namorados, heróis, santos e guerreiros.
Com o passar dos séculos, e a ascensão da racionalidade como forma dominante de pensamento, começou-se a tentar sistematizar o conhecimento, e provar cientificamente os diversos fatos naturais.
Daí, da observação dos céus surgiu a Astronomia, da observação dos diversos tipos de pessoa que nasciam nas diversas épocas do ano surgiu o que seria o embrião da moderna Psicologia, e finalmente, das analogias entre os movimentos dos astros e as doenças, assim como das analogias entre as épocas em que nasciam as diversas plantas curativas, surgiram os primórdios da atual Medicina.
Após séculos, milênios de observações e práticas que tentavam e tentam ainda identificar da melhor forma possível as relações dos movimentos celestes, do macrocosmo, com o microcosmo humano, tivemos uma fase quando ciência e religião se uniram para tentar banir a astrologia do rol dos assuntos sérios. Quase foram bem sucedidos.
Porém, tanto conhecimento não poderia desaparecer, tal sabedoria fincou profundas raízes no inconsciente humano, formou sua própria egrégora (essa palavra significa a integração energética dos pensamentos, ideais e desejos de um determinado grupo ou categoria).
Após algum tempo, começou-se a arranhar as estruturas do universo através da Física, e, paradoxo dos paradoxos, uma das mais frias e áridas estruturas racionais acabou servindo de subsídio para chamar a atenção da Humanidade para os insondáveis mistérios que parecem se tornar maiores a cada passo que avançamos rumo a uma suposta compreensão.
Do raio laser, veio o holograma. Do holograma tiramos a quase corroboração dos axiomas de Hermes Trimegistro, pois se estudarmos os paralelos entre as afirmativas do grande metafísico e alquimista, e compararmos suas proposições com o fato de que uma pequena parte de um holograma contem o total da imagem, chegaremos, como Talbot (Michael Talbot, autor do livro O Universo Holográfico) a imaginar um universo onde a realidade física nada mais seria além de um padrão de interferência entre energias.
Da física quântica, veio o fenômeno da interdependência de eventos, onde duas partículas, em um certo estado, repetem uma o que aconteceu à outra, mesmo estando longe e não tendo nenhuma conexão entre elas. E mais, essa repetição ocorre simultaneamente, sem nenhum espaço de tempo. Essa realidade poderia nos levar, por exemplo, a pensar nos oráculos, onde um pequeno sistema manuseado por mentes e corpos humanos, reflete, aparentemente sem nenhuma ligação direta, modelos de acontecimentos passados, presentes ou futuros.
É, meu irmão e minha irmã... temos muito que investigar e aprender. Não façamos como aquele "sábio" da Academia de Ciências que declarou, a mais ou menos um século, que "nada mais existia para ser inventado"...
Jorge Augusto Camoles, 28/10/98, 23 h 22, Trindade, Goiás, Brasil
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