CAMINHOS DA MEDICINA
HISTÓRIA DA CIRURGIA DA ACALÁSIA DO ESÔFAGO E
DO MEGAESÔFAGO CHAGÁSICO
Introdução
O autor faz uma revisão
histórica da evolução do tratamento cirúrgico
da acalásia idiopática do esôfago e do megaesôfago
chagásico. As duas entidades, que só diferem entre si quanto
à etiologia, são consideradas como uma única afecção
no referente ao tratamento cirúrgico.
Para uma abordagem didática,
os diferentes tipos de operação propostos foram separados
em 11 grupos, levando em consideração a semelhança
técnica e seu embasamento teórico. Em razão do desconhecimento
da fisiopatologia da acalásia, a conduta cirúrgica adotada
no passado variou de acordo com a interpretação de cada cirurgião
sobre a natureza da afecção, dando origem a uma grande variedade
de operações, a maioria das quais têm hoje apenas interesse
histórico.
Somente após a aquisição
de conhecimentos científicos sobre a patogênese e a fisiopatologia
da afecção, o tratamento cirúrgico alcançou
o estádio atual. Aceita-se atualmente a cardiomiotomia com algum
tipo de fundoplicatura parcial como a operação mais indicada
para os casos não avançados de megaesôfago. Para os
casos em que há grande dilatação e alongamento do
esôfago ainda não há consenso entre os cirurgiões
sobre a melhor conduta cirúrgica a ser adotada.
O autor ressalta a grande
experiência e contribuição dos cirurgiões brasileiros
para o progresso do tratamento cirúrgico do megaesôfago, seja
aprimorando as técnicas já existentes, seja criando novas
técnicas.
A acalásia idiopática
do esôfago e o megaesôfago chagásico apresentam manifestações
clínicas, fisiopatologia e aspectos radiológicos, endoscópicos
e manométricos idênticos, razão pela qual o tratamento,
qualquer que seja o método adotado, aplica-se igualmente a ambas
as afecções.
Assim sendo, nesta retrospectiva
histórica consideraremos as duas condições como sendo
uma única no referente ao tratamento cirúrgico.
A acalásia do esôfago
constituía no passado verdadeiro enigma para a medicina e numerosas
teorias foram aventadas para explicá-la. Em decorrência desse
fato o próprio nome da afecção variou ao longo do
tempo. Em uma revisão da literatura, Vaz encontrou nada menos que
71 diferentes denominações (89). Uma das denominações
que prevaleceu por muito tempo e, por vezes, ainda é usada, é
a de cardioespasmo, dada por Mikulicz em 1882 (13).
A denominação
de acalásia foi adotada em substituição à de
cardiospasmo a partir do trabalho clássico de Hertz, de 1914/1915,
em razão de não haver espasmo da cárdia e sim falta
de relaxamento do esfíncter inferior do esôfago às
deglutições (Do grego a, negação + chálasis,
relaxamento
(34). Hertz, mudou o seu próprio nome para Hurst em suas publicações
posteriores, razão pela qual a teoria da acalásia passou
a ser citada como teoria de Hurst. O trabalho mais citado na literatura
é o de Hurst e Rake, datado de 1930 (37).
O nome de megaesôfago,
adotado por Von Hacker em 1907, além do seu significado etimológico
de uso universal, é usado no Brasil desde a década de 1930
para nomear especificamente a esofagopatia endêmica de etiologia
chagásica, popularmente conhecida como mal de engasgo (13).
Em conseqüência
do desconhecimento da fisiopatologia da acalásia, a conduta cirúrgica
adotada no passado para o seu tratamento variou de acordo com a interpretação
de cada cirurgião sobre a patogenia desta afecção,
dando origem aos mais diversos procedimentos e técnicas, muitos
dos quais têm hoje apenas interesse histórico.
No século XIX a única
operação empregada consistia em uma simples gastrostomia
com a finalidade de alimentar o doente nos casos de desnutrição
grave (19).
Ao iniciar o século
XX começam a ser utilizadas outras modalidades de intervenção
cirúrgica no tratamento da acalásia. Os diferentes tipos
de operação e os fundamentos que os inspiraram foram objeto
de análise por Steichen et al. (81), Ochsner e DeBakey (53), Ellis
e Olsen (19) e Ximenes Netto (93), em excelentes revisões.
Não seguimos nenhuma
das classificações apresentadas por estes autores, preferindo
uma abordagem mais simples e didática, levando em conta a semelhança
técnica e o embasamento teórico das operações
realizadas. Com este propósito os diferentes tipos de operação
foram reunidos nos seguintes grupos:
1. Dilatação cirúrgica
2. Operações para redução
do diâmetro do esôfago.
3. Operações para encurtamento do
esôfago
4. Operações sobre o diafragma
5. Operações sobre a inervação
extrínseca do esôfago
6. Cardiectomia com anastomose direta
7. Cardiectomia com interposição de
alça
8. Cardioplastias
9. Cardiomiotomia
10. Procedimentos anti-refluxo
11. Esofagectomia
1. Dilatação cirúrgica
Russell (1898), na Inglaterra,
idealizou e construiu o primeiro balão pneumático, que poderia
ser introduzido pela boca, desinsuflado, até alcançar o estômago
e, a seguir inflado, distendendo a cárdia (73).
Plummer (1906), nos EE.UU.,
desenvolveu um modelo de balão hidrostático em que a distensão
é feita com água em lugar de ar (59).
Os resultados satisfatórios
obtidos com a dilatação pelo balão pneumático
ou hidrostático deram origem à idéia de se proceder
à dilatação cirúrgica, que poderia ser feita
sob visão direta e não às cegas.
Martin (1901) procedeu a
dilatação anterógrada e retrógrada através
de gastrostomia, com uma oliva semelhante à usada para dilatação
de estenose cicatricial do esôfago por ingestão de cáustico
(47). O paciente era alimentado pela gastrostomia, pois, em sua opinião,
o esôfago deveria ficar em repouso durante o período de tratamento.

Mikulicz (1904) descreveu
a técnica por ele empregada, segundo a qual a dilatação
era feita inicialmente por meio de uma pinça introduzida através
de uma incisão na parede anterior do estômago. A pinça
era introduzida fechada até alcançar o esôfago e, a
seguir, aberta. Após a distensão com a pinça, a dilatação
era completada manualmente (57).

O método encontrou
adeptos em outros cirurgiões, muitos dos quais faziam apenas a dilatação
digital. Em 1940, Ochsner e DeBakey coletaram na literatura mundial 80
casos assim tratados, com mortalidade de 8,9% e resultados satisfatórios
em 70,8% dos casos (53).
Barrow, citado por Wakeley,
em 1915, utilizou a técnica da dilatação digital,
invaginando a parede anterior do estômago e evitando, assim, a abertura
do estômago (90). Esta técnica foi posteriormente adotada
por Kümmel em 1921 (43).

Anschütz (1921) praticava a dilatação da cárdia com um balão, porém abria o abdome para posicionar corretamente o balão (2).

Como os resultados obtidos
com a dilatação cirúrgica fossem equivalentes aos
da dilatação peroral, esta passou a ser preferida. O tratamento
cirúrgico permaneceu como alternativa e como solução
para os casos de insucesso da dilatação. Veremos, a seguir,
as diversas modalidades de operações que foram ou são
utilizadas no tratamento da acalásia.
2. Operações para redução do diâmetro do esôfago
Reisinger (1907) criou uma técnica para reduzir o diâmetro do esôfago na acalásia, retirando uma faixa da parede do esôfago, de cerca de 15 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura e suturando as bordas (67).

Recentemente o procedimento
de reduzir o diâmetro da esôfago voltou a ser utilizado nos
casos de megaesôfago avançado como complemento da cardiomiotomia
(56).
Meyer (1911), em lugar de
abrir o esôfago, procedia a uma plicatura da parede esofagiana, com
o que reduzia a sua luz (50).
3. Operações para encurtamento do esôfago
Para os casos em que o esôfago, além de dilatado, apresentava-se alongado, Tuffier, (1922) e Freeman (1923) idealizaram encurtar o esôfago por invaginação de sua parede (25, 85). Na técnica de Tuffier, a invaginação era feita no esôfago cervical enquanto Freeman a realizava no segmento distal infradiafragmático, após liberar e tracionar o esôfago para o abdome.
Kay (1953) associava a cardioplastia de Wendel com a tração do esôfago para o abdome, refazendo o hiato acima da cárdia (39).
4. Operações sobre o diafragma
Roepke (1914), acreditando
que a obstrução fosse causada por uma periesofagite, liberava
a junção esofagogástrica de todos os tecidos que circundavam
o esôfago e a cárdia e alargava o hiato com uma incisão
no diafragma (72).
No Brasil, Vampré
(1919) admitiu que a causa do megaesôfago fosse um espasmo do diafragma,
o que levou Camargo a praticar a secção dos pilares do diafragma
em seis pacientes (86). Em face dos maus resultados, a teoria do espasmo
diafragmático foi abandonada pelo próprio Vampré,
quatro anos depois ( 87 ).
Gregoire (1923), igualmente
convencido de que o diafragma participava de maneira importante da obstrução,
associava a cardioplastia com a incisão do diafragma, alargando
o hiato, procedimento este batizado de "frenotomia" e que foi adotado por
outros cirurgiões, especialmente na França.
5. Operações sobre a inervação extrínseca do esôfago
Uma das teorias etiopatogênicas
sugeridas procurava explicar a acalásia como decorrente de uma alteração
da inervação extrínseca do esôfago. Era natural,
portanto, que se procurasse atuar cirurgicamente nessa inervação.
Sauerbruch (1921) realizou
vagotomia bilateral em 4 casos de acalásia, sem registrar melhora
clínica dos pacientes (75).
Rieder (1929) praticou a
vagotomia distal bilateral no tratamento da acalásia e os pacientes
vagotomizados tiveram que ser posteriormente reoperados pela técnica
de Heller (70).

Recalde (1932) atribuía a afecção à inervação intrínseca e advogava a neurólise do plexo mientérico de Auerbach no segmento inferior do esôfago, fazendo a descorticação da camada muscular longitudinal, com secção dos nervos vagos. Relatou melhora clínica em 3 casos e um óbito por perfuração do esôfago e mediastinite (66).

Segundo Ochsner e DeBakey,
até 1940 onze pacientes de acalásia haviam sido submetidos
à vagotomia. Houve 3 óbitos; 7 pacientes tiveram recidiva
ou agravamento dos sintomas e somente um paciente se beneficiou aparentemente
com a intervenção (53).
A vagotomia só se
justificaria com o propósito de reduzir a secreção
ácida do estômago na prevenção da esofagite
de refluxo, mas não como tratamento da acalásia. Já
Rake havia demonstrado a existência de alterações inflamatórias
e degenerativas do plexo mioentérico (37). O próprio Rieder,
que havia praticado a vagotomia em 1929, reconheceu dois anos depois a
impropriedade deste procedimento, visto que a vagotomia em animais dificulta
o esvaziamento do esôfago, interferindo com o reflexo de abertura
do esfíncter inferior do esôfago.
Knight (1934) verificou
que a vagotomia bilateral no gato produzia uma condição semelhante
à acalásia, a qual regredia pela neurólise da inervação
simpática (41). Baseados neste experimento, Knight e Adamson (1935)
realizaram a gangliectomia celíaca em cinco casos de acalásia,
relatando melhora sintomática em dois deles (42).

Craig et al. (1934) procederam
a desnervação simpática, ressecando bilateralmente
os gânglios cervicais e torácicos do simpático (15).
A secção do
nervo frênico foi praticada em dois casos de acalásia por
Enderlen (1929), sem nenhum proveito para os pacientes.
Em face dos maus resultados
e com a evolução dos conhecimentos sobre a fisiopatologia
da afecção, as operações sobre a inervação
do esôfago como procedimentos isolados foram inteiramente abandonadas.
6. Cardiectomia com anastomose direta
A ressecção do segmento distal do esôfago incluindo a junção esofagogástrica e o restabelecimento do trânsito por anastomose esofagogástrica foi introduzida no tratamento cirúrgico da acalásia por Bier, em 1920 (8). Outros cirurgiões seguiram a mesma trilha, com variantes.

Radlinski (1936), em lugar
de simples anastomose, invaginava o segmento distal do esôfago para
dentro do estômago (61).
Wangensteen (1951) defendeu
o que ele chamou de "operação fisiológica para o mega-esôfago"
e que consistia na ressecção conjunta do segmento distal
do esôfago e do estômago proximal, associada à piloroplastia
(91). Os resultados desta operação foram animadores inicialmente,
porém a mesma foi abandonada pelos inconvenientes de uma gastrectomia
proximal.
7. Cardiectomia com interposição de alça
Merendino e Dillard (1955) descreveram a operação que ficou conhecida como operação de Merendino e que consiste na cardiectomia seguida da interposição de um segmento de alça jejunal entre o esôfago e o estômago, considerando que a mucosa jejunal suporta melhor o refluxo ácido do que a mucosa do estômago (49).

Este tipo de operação
teve boa aceitação por parte dos cirurgiões brasileiros
para o tratamento do megaesôfago, tanto em casos submetidos anteriormente
a outro tipo de tratamento, com recidiva dos sintomas ou esofagite de refluxo,
como método preferencial nos casos ainda não tratados. As
maiores casuísticas com interposição jejunal no tratamento
do megaesôfago chagásico são a de Lázaro da
Silva, com 170 casos operados entre 1963 e 1982 (79); a de Resende, que
relatou 117 casos operados até 1973 (68), a de Rassi, com 56 casos
operados no período de 10 anos (1967-1877), e a de Raia et al.,
com 39 casos operados até 1983 (62).
Couto e Aldrovando (1966)
realizaram operação semelhante, substituindo o segmento jejunal
por um segmento de cólon (14).
Barbosa et al. (1971), da
Universidade de Brasília, idealizaram e realizaram em 14 pacientes
de megaesôfago chagásico a cardiectomia com interposição
ileocecal (5).

8. Cardioplastias
As cardioplastias tiveram início com a operação de Wendel (1909), inspirada na piloroplastia de Heineke-Mikulicz. Consiste em uma incisão longitudinal de todas as camadas da parede na junção esofagogástrica e fechamento da abertura em sentido transversal (92).



A variante mais difundida
para corrigir o inconveniente mencionado foi a descrita por Backer-Gröndhal
(1916), na qual a incisão longitudinal é substituída
por uma incisão curva passando pela junção esofagogástrica
(4).

O resultado imediato das
cardioplastias mostrou-se muito satisfatório do ponto de vista clínico,
com melhora ou mesmo desaparecimento da regurgitação e da
disfagia. O seguimento dos pacientes operados a médio e longo prazo
demonstrou, no entanto, os inconvenientes deste tipo de operação
pela ocorrência da esofagite de refluxo, de evolução
progressiva, em praticamente todos os casos
Barrett e Franklin (1949),
em trabalho que se tornou clássico, documentaram a presença
de esofagite em 24 de 25 pacientes submetidos anteriormente à esofagogastrostomia
ou cardioplastia. Apenas três deles estavam assintomáticos.
Os autores recomendaram que se abandonasse de vez as cardioplastias, substituindo-as
pela cardiomiotomia (7).
Dados similares foram relatados
por Ripley et al. (1952). De 29 pacientes submetidos à esofagogastrostomia
ou à cardioplastia na Mayo Clinic, entre 1935 e 1950, por diferentes
afecções esofagianas, 28 apresentaram esofagite pós-operatória
decorridos dois meses a quatro anos após a operação.
Deste total, sete eram casos de cardiospasmo (acalásia) (71).
A esofagite de refluxo é
particularmente grave no megaesôfago operado pela falta do peristaltismo
para remover o líquido ácido refluído do estômago,
o qual permanece por longo tempo em contato com a mucosa esofagiana.
Outros autores alertaram
para o problema e as citadas gastroplastias, como procedimentos isolados,
foram sendo aos poucos abandonadas ou associadas a outros tipos de intervenção.
Frejat (1974), para prevenir
a esofagite de refluxo, associou a gastroplastia de Wendel à fundoplicatura
de Nissen, tendo relatado 50 casos operados com bons resultados (26).
Guarner e Gaviño
(1983) associaram a operação de Heyrowsky com a fundoplicatura
à Nissen em 6 casos que haviam sido submetidos anteriormente à
cardiomiotomia e que apresentaram recidiva dos sintomas. Os pacientes foram
acompanhados durante 6 meses e os resultados foram satisfatórios
(32).
Thal et al. (1965) descreveram
um novo tipo de cardioplastia em que se cria um mecanismo valvular que
impede ou dificulta o refluxo. Destinada inicialmente à reconstrução
da cárdia em casos de ruptura do esôfago inferior e estenose
esofagiana, passou a ser posteriormente empregada na estenose esofagiana
e na acalásia.
Consiste basicamente em
uma abertura de todas as camadas da parede, que se estende 3 a 6 cm acima
e 2 a 3 cm abaixo da cárdia em direção à grande
curvatura gástrica. Resulta uma brecha que é fechada rebatendo-se
sobre ela a parede anterior do fundo gástrico.
A superfície serosa
da parede gástrica que fica voltada para a luz do esôfago,
com o passar do tempo, é recoberta pelo epitélio escamoso
regenerado do esôfago (82).
A operação
de Thal-Hatafuku foi adotada no Brasil para o tratamento do megaesôfago
chagásico por vários cirurgiões, que aprimoraram sua
técnica e adquiriram grande experiência com a mesma. As maiores
casuísticas relatadas são a de Barbosa et al. (1987), com
351 casos operados ( 6), a de Ximenes Netto (1987), com 210 casos (93),
a de Malafaia (1991), com 111 casos. (46 ) e a de Sader et al. (1975) com
50 casos.(74).
França et al. (1999)
descreveram outra modalidade de cardioplastia a que denominaram esofagocardiomioplastia
transversal extra-mucosa com esofagogastrofundoplicatura parcial.
Os autores denominaram a
técnica de "Girard-Toupet-Lind". Consiste na miotomia longitudinal
com fechamento transversal e gastroesofagopexia, "fixando o fundo gástrico
posteromedialmente na metade direita do esôfago, com três ou
quatro pontos separados, englobando as camadas musculares sem atingir a
mucosa". O fundo gástrico é, a seguir, fixado anteriormente
e na metade esquerda do esôfago.
Os autores utilizaram esta
técnica no período de 20 anos (1978-1996) em 215 pacientes
de megaesôfago, inclusive em casos de dolicomegaesôfago. O
tempo de seguimento pós-operatório variou de três a
228 meses, com a média de 27,5 meses. Em 131 pacientes acompanhados
além da média, os resultados foram satisfatórios em
93,8% dos casos. (24)
Petrovsky (1962), na Rússia,
descreveu um novo tipo de operação a que chamou de diafragmoplastia.
Inicia-se com uma incisão na camada seromuscular da parede do esôfago
em forma de T, seguida de descolamento das bordas laterais triangulares,
que são ressecadas. Resulta uma brecha com exposição
da mucosa esofagiana em uma extensão longitudinal de 6 a 7 cm e
transversal em hemicircunferência. A superfície cruenta é
recoberta por um retalho pediculado do diafragma e a abertura resultante
do diafragma é fechada com pontos separados. Quinze pacientes foram
operados e acompanhados pelo autor por um período de 2,5 a 3,5 anos,
apresentando bons resultados, tanto em relação aos sintomas
da acalásia quanto pela ausência de esofagite de refluxo pós-operatória
(54).
Fig. 22 – Petrovsky, 1962
Serra Dória et al. (1968), visando a contornar o problema da esofagite de refluxo nos pacientes operados de megaesôfago adotaram uma nova conduta cirúrgica. Associaram a cardioplastia de Gröndhal à gastrectomia subtotal com reconstituição do trânsito em Y de Roux. Com esta operação não haveria teoricamente secreção de ácido pelo estômago suficiente para causar esofagite nem refluxo de secreção biliopancreática, igualmente agressiva para a mucosa esofagiana.

Holt e Large (1961) já
haviam realizado idêntica operação para o tratamento
da esofagite, com e sem estenose. Nos casos sem estenose realizavam a gastroplastia
à Gröndahl e nos casos com estenose procediam à ressecção
da cárdia e do segmento distal do esôfago, com anastomose
esofagogástrica término-terminal. Em todos os casos coplementavam
a operação com vagotomia. De 11 casos operados, seis eram
de acalásia, que já haviam sido operados anteriormente pela
técnica de Gröndahl (36).
Cabe a Serra-Dória,
no entanto, a prioridade de ter empregado esta operação pela
primeira vez no tratamento cirúrgico do megaesôfago com o
objetivo de prevenir e não de tratar a esofagite de refluxo. A vagotomia
não é feita na técnica original de Serra-Dória,
considerando que no megaesôfago chagásico é comum a
hipocloridria.
Goldenberg et al., no entanto,
preconizam a vagotomia também no megaesôfago chagásico,
tendo-a praticado em 10 casos operados (28).
Em 1973, Serra Dória
já contava com 130 casos operados com bons resultados (78).
A operação
de Serra Dória tem sido praticada em vários centros cirúrgicos
do nosso País e tem sido objeto de estudos na Faculdade de Medicina
da Universidade Federal de Goiás e na Santa Casa de Goiânia,
tendo sido tema de duas dissertações de mestrado e uma tese
de doutorado, que citamos a seguir:
Alves (2003) avaliou os
resultados imediatos da operação de Serra Dória em
50 pacientes com megaesôfago avançado, operados no período
de 1988 a 2002, 98% dos quais tinham sorologia positiva para Doença
de Chagas. A complicação mais importante no pós-operatório
imediato foi hemorragia digestiva alta em 5 pacientes (10%). Um paciente
faleceu de acidente vascular cerebral no primeiro dia pós-operatório
e os demais tiveram alta hospitalar entre o sexto e o nono após
a operação.. No trigésimo dia de pós-aoperatório
apenas três pacientes (7,5%) ainda se queixavam de disfagia (1).
Trevenzol (2003) analisou
retrospectivamente os resultados obtidos com a operação de
Serra-Dória em 20 pacieantes que haviam sido previamente tratados
por cardiomiotomia e que apresentaram recidiva dos sintomas. Concluiu que
a operação de Serra-Dória nesses casos é bem
tolerada e proporciona significativa melhora dos sintomas de disfagia,
regurgitação e pirose. Verificou aumento do peso corporal
em 13 pacientes e redução do calibre do esôfago ao
exame radiológico em onze. Dentre nove pacientes que apresentavam
esofagite no pré-operatório, houve melhora em seis (84).
Stefani-Nakano (2005) realizou
um estudo comparativo entre os resultados tardios da operação
de Serra-Dória e os da esofagectomia transdiafragmática com
esofagogastroplastia.. Foram avaliados 22 pacientes submetidos à
operação de Serra-Dória e 22 à esofagectomia.
Para comparação foram utilizados os seguintes dados: sintomatologia,
estado nutricional, diversos exames de laboratório, endoscopia e
histologia em material de biópsia. A autora conclui que não
houve diferença significativa com relação à
avaliação clínica, nutricional, laboratorial, endoscópica,
histológica e de qualidade de vida. Embora sem significação
estatística, registrou maior frequência de esofagite e menor
absorção de ferro no grupo tratado com a operação
de Serra-Dória (80).
9. Cardiomiotomia
Modalidade de operação
destinada a ser um marco na história do tratamento cirúrgico
da acalásia, foi concebida em 1901, por Gottstein, quem não
chegou a realizá-la. Coube a Heller, em 1913, a prioridade, ao operar
uma paciente de 49 anos, com história de 30 anos de disfagia. Heller
havia programado a esofagogastrostomia segundo a técnica de Heyrowsky.
Ficou surpreso ao verificar a espessura da camada muscular na junção
esofagogástrica, lembrando o piloroespasmo da criança. Decidiu,
então, fazer uma operação semelhante à pilorotomia
de Ramsted. Incisou a parede muscular anterior e posterior em uma extensão
de 8cm, cruzando a junção esofagogástrica com um mínimo
de corte na parede gástrica. A
camada mucosa ficou livremente exposta nas duas incisões (33).
Apesar da sua simplicidade e eficácia, a cardiomiotomia não foi imediatamente aceita como solução para o tratamento cirúrgico da acalásia, e os cirurgiões, principalmente na Alemanha, pátria de Heller, continuavam preferindo as cardioplastias. No dizer de Steichen et al., Heller foi um profeta sem glória em seu país (81).
Groenveldt, na Holanda, optou por fazer apenas uma incisão na parede anterior, obtendo resultados equivalentes aos da dupla incisão de Heller (31). Esta modificação firmou-se em caráter definitivo daí por diante no tratamento cirúrgico da acalásia.
Na França, Fontaine (1950) e outros cirurgiões associaram a cardiomiotomia a algum tipo de neurólise: vagotomia ou esplancnicectomia (23).
Uma das modificações mais relevantes data de 1938 e se deve a um cirurgião brasileiro, Oliveira Mattos, quem passou a fazer a retirada de uma faixa da camada muscular na parede anterior do esôfago, acompanhando a incisão numa extensão de 8 a 10 cm, de modo a alargar a brecha com a superfície exposta da mucosa. Ressaltou ainda Oliveira Mattos a importância de se retirar a submucosa juntamente com a camada muscular (48). Esta técnica tem sido utilizada por numerosos cirurgiões, sendo chamada de cardiomiectomia.
Vasconcelos propôs a retirada da fita muscular na borda direita da face anterior da cárdia, para poupar as fibras oblíquas do estômago, técnica que foi utilizada por Chaib et al., em 200 casos operados até 1977 (10). Insatisfeito com os resultados, Chaib introduziu outra modificação técnica que divulgou em nota prévia publicada em 1983. Consiste em realizar a miotomia na face direita do esôfago, preservando-se as estruturas anatômicas das faces anterior, esquerda e posterior. A incisão estende-se para cima até a parte dilatada do esôfago e, para baixo, até 1cm da parede do estômago, evitando-se seccionar a musculatura gástrica. Sutura-se, a seguir, o pequeno epiploo às bordas da ferida, de modo a recobrir toda a superfície exposta da mucosa, o que, não só evita possível reaproximação das mesmas, como contribui para a fixação do esôfago distal na cavidade abdominal. Por fim, o fundo gástrico é fixado à borda esquerda da incisão por duas fileiras de pontos, formando uma calha de 2 a 3 cm de largura (11).
Desde o início da prática da cardiomiotomia, tem sido usada ou a via de acesso torácica ou a abdominal, com acentuada preferência para esta última. Vários pormenores técnicos foram introduzidos, na dependência do entendimento e da experiência de cada cirurgião.
Com o advento da cirurgia laparoscópica, a cardiomiotomia extramucosa com fundoplicatura, tanto na acalásia idiopática, como no megaesôfago chagásico, tem sido realizada de preferência utilizando-se deste novo método cirúrgico, com todas as vantagens que lhe são inerentes: menor tempo de hospitalização, pós-operatório mais confortável para o paciente, mobilização precoce e ausência de cicatriz abdominal extensa.
10. Procedimentos anti-refluxo
Muito embora a incidência
de esofagite de refluxo pós-operatória seja menor com a cardiomiotomia
do que com as cardioplastias clássicas, ainda assim o número
de pacientes que apresentam esta complicação é significativo,
o que levou os cirurgiões a complementar a operação
com algum procedimento anti-refluxo.
Um dos recursos inicialmente
utilizados foi o de proceder à vagotomia, para redução
da secreção ácida do estômago, associada ou
não à piloroplastia, para facilitar o esvaziamento gástrico.
Um melhor conhecimento do
mecanismo de contenção do refluxo em indivíduos normais
levou os cirurgiões a idealizarem outros procedimentos capazes de
criar uma barreira anatômica anti-refluxo, de natureza valvular,
na própria transição esofagogástrica, à
semelhança da conduta seguida na correção das hérnias
hiatais.
Lortat-Jacob (1953) foi
dos primeiros a valorizar a acentuação do ângulo de
His na prevenção do refluxo em pacientes submetidos à
cardiomiotomia, preconizando a fixação do fundo gástrico
à borda esquerda do esôfago por meio de uma fileira de pontos
separados (45).
Nissen e Rossetti (1962) divulgaram a operação, que ficou conhecida pelo seu epônimo, para o tratamento da hérnia hiatal e esofagite de refluxo, a qual poderia ser empregada como complemento da cardiomiotomia no tratamento cirúrgico da acalásia (52). Nesta operação, o esôfago distal fica envolvido pelo fundo gástrico em toda a circunferência, como mostra a figura 31.
De eficácia comprovada na prevenção do refluxo, quando utilizada na acalásia dificulta o esvaziamento do esôfago pela falta de peristaltismo esofagiano que caracteriza esta afecção, causando persistência da disfagia.
Toupet (1963) apresentou à Academia de Cirurgia da França uma operação análoga, que difere da operação de Dor por realizar a gastroesofagopexia na face póstero-lateral do esôfago e não na face anterior. Além disso, faz-se a fixação por pontos separados do fundo gástrico ao diafragma (83).
Jekler e Lhotka (1967), com o objetivo de prevenir o refluxo, adotaram o seguinte procedimento: após a cardiomiotomia, mucosa exposta do esôfago é recoberta pelo fundo gástrico por duas fileiras de pontos; a primeira unindo a parede gástrica ao bordo muscular esquerdo da miotomia; a segunda suturando a parede gástrica ao bordo muscular direito, de modo a recobrir inteiramente a mucosa esofagiana pelo fundo gástrico (fundopexia); a seguir, o fundo gástrico é fixado é fixado ao esôfago um a dois centímetros acima do ângulo superior da miotomia por uma sutura transversal com pontos separados (fig. 35). (38)
Pinotti et al., insatisfeitos com os resultados obtidos com as técnicas de Dor e de Jekler e Lhotka, metodizaram um procedimento anti-refluxo em que a gastroesofagopexia abrange a face posterior, a partir do eixo longitudinal, a face esquerda e a face anterior do esôfago, envolvendo-o numa altura de 5 a 6 cm em cerca de dois terços de sua circunferência. Na técnica por eles descrita faz-se a miotomia com a retirada de uma fita da parede muscular da face anterior do esôfago, de 0,5 a 1,0 cm de largura, estendendo-se 3 cm abaixo e 6 cm acima da transição esofagogástrica (fig 36).
Na literatura internacional os procedimentos anti-refluxo mais citados são o de Dor e o de Toupet, especialmente o primeiro, talvez pela maior facilidade de sua execução na cirurgia laparoscópica, enquanto na literatura brasileira predomina de modo absoluto a técnica de Pinotti e colaboradores.
11. Esofagectomia subtotal
A esofagectomia subtotal
consiste na retirada do esôfago, à exceção do
segmento proximal do esôfago cervical, que será anastomosado
ao estômago ou a um segmento do cólon para reconstrução
do trânsito.
Como opção
cirúrgica para o tratamento do megaesôfago, a esofagectomia
subtotal foi praticada pela primeira vez por Câmara-Lopes em 1955.
A operação, que ficou conhecida pelo nome do seu autor, reconstitui
o trânsito com o estômago por via mediastinal anterior retroesternal
extrapleural (9). Posteriormente, Ferreira Santos modificou a técnica
original, passando a fazer a reconstituição do trânsito
por via transmediastinal posterior, conduta esta que passou a ser preferida
por outros cirurgiões.
Rassi (1979), com grande
experiência em cirurgia do megaesôfago, restringiu a esofagectomia
subtotal aos casos de dolicomegaesôfago e preferiu utilizar o cólon
transverso em lugar do estômago, por via retroesternal. Relatou 113
casos de esofagocoloplastia, com dois óbitos (65).
Eugênio Ferreira (1975) desenvolveu uma nova técnica de esofagogastroplastia transmediastinal posterior, utilizando a via cervicoabdominal, sem toracotomia. Nesta operação, após a secção do esôfago em sua porção cervical e extremidade distal, bem como a liberação das duas bocas das estruturas vizinhas, o esôfago torácico é retirado com um extrator metálico, a exemplo dos que são usados nas operações de safenectomia (22).
Contribuição brasileira
O tratamento cirúrgico
do megaesôfago no Brasil teve início em 1922, quando Walter
Seng, em São Paulo, realizou com sucesso a operação
de Heller em dois pacientes (76). Três anos depois, Raphael Parisi,
em sua tese inaugural, relata 17 casos operados por cardiomiotomia, onze
dos quais por A.C.Camargo (13). Até 1933, este cirurgião
já havia operado cerca de 200 casos (13).
Desde então o tratamento
cirúrgico do megaesôfago passou a ser feito em outros centros
médicos do País e a cardiomiotomia passou a integrar o rol
das operações realizadas pelos cirurgiões gerais,
não somente nas capitais, como também em cidades do interior
dotadas de maiores recursos.
O caráter endêmico
da doença de Chagas no Brasil e o grande número de pacientes
que evoluem com a forma digestiva proporcionaram aos cirurgiões
brasileiros a maior casuística mundial no tratamento do megaesôfago
e do megacólon adquirido.
A contribuição
brasileira à cirurgia do megaesôfago chagásico e, obviamente,
da acalásia idiopática, se traduz, tanto no aprimoramento
das técnicas tradicionais utilizadas em outros países, como,
principalmente, pela inovação, com operações
originais.
Em razão da maior
prevalência da esofagopatia chagásica nos estados de São
Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, os cirurgiões
destes estados, com base na grande experiência adquirida, idealizaram
e descreveram novas soluções cirúrgicas para o tratamento
do megaesôfago.
Em São José
do Rio Preto, Serra-Dória concebeu a operação que
ficou conhecida pelo seu nome. Em Ribeirão Preto, Câmara-Lopes
e Ferreira-Santos realizaram pela primeira vez no tratamento do megaesôfago,
a esofagectomia subtotal com esofagogastroplastia retroesternal extrapleural,
operação esta modificada posteriormente por Ferreira-Santos,
que optou pela via mediastinal posterior. Em Belo Horizonte, José
Sílvio Resende e Alcino Lázaro da Silva aprimoraram a técnica
da operação de Merendino e Dillard. Também em Belo
Horizonte, Thomaz de Aquino França e colaboradores descreveram uma
nova modalidade de cardioplastia. Em Goiânia Luiz Rassi adotou um
critério seletivo da técnica cirúrgica a ser empregada,
com base na classificação radiológica de Rezende et
al. (69), indicando a cardiomiotomia com esofagogastropexia à Lortat-Jacob
para os casos dos grupos II e III, sem esofagite; interposição
de alça jejunal em pacientes tratados anteriormente por dilatação
ou cirurgia, com esofagite, e esofagectomia com esofagocoloplastia para
os casos do grupo IV (dolicomegaesôfagos). Em Brasília, a
cardioplastia de Thal Hatafuku teve seus seguidores em Barbosa et al. e
Ximenes Neto, que modificaram e aprimoraram esta operação.
Em Campinas, SP, José Luiz Braga de Aquino e colaboradores descreveram
uma nova operação para o megaesôfago avançado:
a mucosectomia do esôfago, com preservação da parede
muscular do esôfago torácico e esofagogastroplastia mediastinal
posterior.
A maior contribuição
se deve à escola paulista, em que vários cirurgiões
criaram novas técnicas ou aprimoraram as já existentes. Cabe
ressaltar a contribuição de Henrique Walter Pinotti, que
abrange estudos de fisiopatologia, clínica e cirurgia do megaesôfago.
Além do procedimento anti-refluxo que recebeu o seu nome, idealizou
e padronizou a esofagectomia por transecção mediana do diafragma,
a qual também se aplica a outras afecções do esôfago,
como o câncer e a estenose cicatricial. Recentemente descreveu outra
operação mais conservadora para o megaesôfago avançado,
que associa a cardiomiotomia à ressecção de uma faixa
longitudinal da parede do esôfago, com a redução do
calibre deste e retificação de sua luz.
A casuística global
de cirurgia do megaesôfago no Brasil soma milhares de casos. Todavia,
a maioria dos cirurgiões não divulgam os seus dados, o que
impede uma avaliação correta. As publicações
existentes relatam em geral a casuística pessoal do cirurgião
e sua equipe em determinado período de tempo e não refletem
o universo dos casos operados. A maior casuística conhecida é
a do Hospital das línicas da Universidade de São Paulo, referida
por Pinotti e Rocha, totalizando 1.184 casos operados no períodode
1967 a 1997 (56).
Por esta breve revisão
histórica tem-se idéia de como evoluiu a cirurgia da acalásia
e do megaesôfago chagásico. Diferentes condutas e tipos de
operação foram usados no passado, fundados em hipóteses
etiopatogênicas sem comprovação científica.
Com base nos conhecimentos adquiridos sobre a patogênese e a fisiopatologia
da afecção aceita-se atualmente a cardiomiotomia, com algum
tipo de fundoplicatura parcial, como a operação mais indicada
para os casos de megaesôfago não avançado. Para os
dolicomegaesôfagos ainda não há um consenso entre os
cirurgiões e diferentes operações são preconizadas.
SUMMARY
A historical review on the
evolution of the surgical treatment of idiopathic achalasia and chagasic
megaesophagus is presented. Both medical conditions are considered as just
one disease regarding the surgical treatment.
Different kinds of surgical
operations which have been proposed are separated in eleven different groups,
considering their theoretical backgrounds and surgical techniques.
Given the lack of knowledge
of achalasia pathophysiology, past surgical approaches varied according
to the surgeon's own interpretation of the disease. As a consequence, a
great number of surgical interventions were done which nowadays have only
historical interest.
The recent surgical treatment
could only be developed after advances in knowledge of the pathogenesis
and pathophysiology of achalasia were reached.
Cardiomyotomy with some
partial fundoplication is currently considered the preferred surgical technique
in non advanced megaesophagus cases. For those with large esophageal dilation
and elongation, there is no consensus among surgeons about which would
be the most appropriated operation.
The large expertise and
contributions to the surgical treatment of megaesophagus from Brazilian
surgeons, either improving the common operations or creating new ones,
are highlighted.
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Modificado da revista ESTUDOS, da Universidade Católica
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