Deixo aqui minha oração ao tempo. Esse senhor de barbas
brancas que com suas mãos calejadas transporta delicada, porem firmemente as chaves do
amanhã...Quisera eu tomar suas mãos entre as
minhas e num segundo insano penetrar sua memória e rever instantes... apagar...
reconstruir... renascer...
Quisera eu ser, mais
uma vez, criança e poder crescer na presença acalentadora de amor e tranqüilidade...
Quisera eu tanta
coisa que já não posso mais...
Respiro fundo e olho
para trás... a serenidade já toma conta de meu olhar e me conduz na esperança de poder
recriar... recriar na certeza do agora.
No olhar de meus
filhos...
Na estrada que me
espera...
O tempo, este senhor
altivo, continua sua jornada a despeito de qualquer coisa que possamos fazer...
Caminhar é a
imperiosa imposição da própria vida...
A encruzilhada é o
chamado de Deus para novas paragens...
Vejo nos olhos deste
senhor o reflexo dos olhos daqueles que venceram a si mesmos... vejo, por fim, meus
próprios olhos neles refletidos com determinação e força.
Ah o tempo... esse
senhor, que me faz guerreira... e santa... e pecadora.
Impossível dizer do
que sou pois que ainda recolho as marcas que me ficaram do que fui....
Impossível não
crer no inevitável amanhã!
Abro os braços e,
mais uma vez me lanço à vida... que Deus me acolha e guarde serenamente em seus braços
de amor!
O tempo me faz
grande e mais próxima de Deus! |
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1.998
Produced by Kátia Arantes
Atualizada em
abril/2000
Equipe Cultura Online