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Trás!...
Explodiu a Verdade,
Agora sou capaz
De tudo
indiferente e quedo e mudo
Deixarei escangalhar o brinquedo
Que temi na Infância,
Rasgou-se o céu em mil fatias lindas,
Ricos
Fanicos
Que recolhi na mão
Desilusão!
Cristal, cristal, cristal!
E eu a namorar o mal...
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Sol
de Agosto.
Raios a prumo.
Nem dá gosto Viver.
Litoral ardente.
Montes nus.
Pó vermelho,
Na valsa doida do vento leste.
Meio-dia.
Nem pinga de agua...
O céu plasmando infernos.
A agonia
Da gente pobre -
Pobre de tudo -
O olhar mudo
Que sufoca gritos
Que não partem.
Mas
Noite de luar,
Vento amainado.
Depois da ceia,
Brincam crianças
Ao canto da varanda:
Galinha Branca
Que anda
Por casa
De gente
Catando
Grão de milho.
E mais:
Somos todos,
todos,
Catando Grão de milho
Em anos de crise,
e mais...
Galinha branca
O espectro da morte
A sorte
De todos.
Olha pra mim!
Assim.
Canivetinho
Canivetão
Va-te França
A única esperança...
França lendária
Terra longínqua
De onde os meninos
Costumam vir em cestos
E para onde
Em anos de crise
Num cesto de pau
(Macabra nau!)
Canivetinho
Canivetão
Coitadinhos
Vão!...
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Aqui,
perdido, distante
das realidades que apenas sonhei,
cansado pela febre do mais- além,
suponho minha mãe a embalar-me,
eu, pequenino, zangado pelo sonho que não vinha.
"Ai, não montes tal cavalinho,
tal cavalinho vai terra-longe,
terra-longe tem gente-gentio,
gente-gentio come gente"
A doce toada
meu sono caía de manso
da boca de minha mãe:
"Cala, cala, meu menino,
terra-longe tem gente gentio
gente-gentio come gente".
Depois vieram os anos,
e, com eles, tantas saudades!...
Hoje, lá no fundo, gritam: vai!
Mas a voz da minha mãe,
a gemer de mansinho
cantigas da minha infância,
aconselha ao filho amado:
"Terra - longe tem gente - gentio,
gente - gentio come gente".
Terra-longe! terra-longe!... -
Oh mãe que me embalaste -
Oh meu querer bipartido!
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