MANUEL MARTINS GASPAR TOMÉ

Bucca Rosa

A tua boca rosa
húmida e exótica
é um porto de sonho
onde meu corpo de navio
lança a âncora do desejo
A tua boca rosa
macia, quente, preciosa
carnuda de tanta loucura
solta no meu peito
um milhão de cavalos
em desenfreado galopar
A tua boca rosa
fofa, doce, langorosa
quando beija ou toca
dá-me calor
arrepios, frémitos
ânsias, tonturas
sentindo-me eu desfalecer
e sempre na tua boca rosa
outras tantas vezes renascer

A tua boca rosa...!


Mais Desejo

O meu olhar cai sobre ti
como água fresca de Verão
desliza sobre o teu corpo
possuindo-te no abandono
Tudo em ti é fascínio
porque tudo exclusivamente
os cabelos, o brilho dos olhos
os lábios, pétalas rosa
a sombra que desliza dos seios
e o tesouro intímo e mágico
que ocultas tão meigamente
na elevação planetária de deusa
O meu olhar cai sobre ti
perpassando corpo e essência
suave, ternamente, comendo-te
Derivas para dentro de nós
realizas não haver distâncias
quando assim somos encontro
vivendo este morrer e nascer
entre suspiros feitos gemidos
tão loucos tão sentidos


Essência da Saudade

Passaste por mim
de madrugada
etérea, levemente
e foste sombra
Assim te perdi
quando entraste
na luz da manhã
Sinal visível
da tua passagem
a rosa vermelha
deixada no chão
do meu peito


Triplicidade

Chegou finalmente a hora
ansiada, esperada, desejada
desesperadamenente
de sentir e ouvir sem demora
a verdade -
o silêncio crescer dentro de mim
ser tranquilamente simplicidade
- naturalmente
Fechar tudo e todo assim
Um a um os sentidos
visível
O coração-alma-espírito
e a sexta-visão também
invisível
O imenso oceano azul-cintilante
brilhante
é uma gota de água
a dimensão
na muito mais imensa eternidade
intemporal
que é tudo quanto sou
da evidência
Fluir e refluir das águas
líquida
constituição e desintegração
da matéria
e o som próprio da vida
em sinfonia
feito poema louco e verdadeiro
de palavras
concrectas/abstractas
daquele que é parte de tudo e nada
E o mistério das rosas azul-forte
carregadas
que florescem nas pedras velhas
misteriosamente
áridas, calcinadas do deserto
de alucinações
aniquilando imagens-miragens
mágicas
e dúbias
e não saber se o perto é longe
se o longe perto
da unicidade