CRUZ E SOUSA
   (1862-1898 )
Na sua alma sedimentada, a energia criadora, a alma antiga que haveria de se traduzir na produção de uma poesia forte de contornos únicos. No dizer do crítico do naturalismo brasileiro, Silvio Romero, Cruz e Sousa "é a muitos respeitos, o melhor poeta que o Brasil produziu" e no qual descobre o ponto culminante da lírica brasileira, após quatrocentos anos de existência. Da sua poesia ressalta a elevação da alma, a nobreza de sentimentos, a delicadeza de afetos, a dignidade de caracter. O poeta encontra inspiração na natureza, nas peripécias da vida, nos atritos da sociedade e nas dores que filtra através da sua própria existência. Segundo Ronald de Carvalho, Cruz e Sousa inaugura o estilo da "expressão indirecta", que é a grande novidade do Simbolismo. Roger Bastide, esteta e sociólogo francês, definindo o Movimento Simbolista, recua a funda corrente de espiritualidade, em fontes remotas tais como Platão e no misticismo medievo de São João da Cruz. Desta feita, a sua análise, coloca em paridade as figuras de Cruz e Sousa e Mallarmé, em termos de similaridade e importância da expressão poética.

Cruz e Sousa, o Poeta Negro, morre a 19 de Março de 1898, com 36 anos de idade, na cidade de Sítio, em Minas, vitima de tuberculose.