O vôo necessário

o poema prossegue
com palavras e sangue

seu destino de luz
e treva concertada

de um silêncio remoto
na concha da memória

de procura precisa
ou estupor

do não
ao veneno que vertem

as moradas acerbas
da razão

nasce o vinho
do poema

as imagens
que o universo decifram

com signos de mistério
(no olhar

tudo é crepúsculo
prisma
do indeciso

mágica
do efêmero cristal)

o poema
alto
cumpre

na penumbra do tempo
o necessário vôo

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