JORGE DE LIMA
    (1893-1952)
Passados sessenta anos — Mário escreve em 1939 —, podemos insistir na perplexidade provocada por Invenção de Orfeu, tal como Os Lusíadas, de Camões, ou o Ulysses, de Joyce costumam provocar em sucessivas gerações de leitores, enquanto obras fortes.

Jorge de Lima nasce em 1893 . A trajetória do poeta alagoana, pode ser dividida em quatro fases, com mais clara ou mais subtil diferenciação. Estas diferenciações vão do poeta ortodoxo neoparnasiano, com o XIV alexandrinos, passando pelos "chaves de ouro" com antíteses, sob a influencia de Bilac ( Mudo que quer Ter voz e ao Ter voz quer ser mudo"; "A ciência que sonha e o verso que investiga" etc.) No soneto de 1913 "meu decassílabo", se descobre a mais directa influencia de Augusto dos Anjos " Como às vezes no Bom surge uma inata e atávica tendência de ser fera....". A fase Modernista surgirá  em 1925, mas é com  "Novos Poemas" (1929), "Poemas Escolhidos"(1932) e Poemas Negros , recolhidos em 1947, que encontramos a segunda fase ortodoxamente modernista de Jorge de Lima.

Em Tempo e Eternidade, de 1935, escrito em parceria com Murilo Mendes, aparece o católico militante, que dominaria a terceira fase. Há um sopro bíblico claramente identificado, um caudal claudeliano, neste livro, assim como em Tunica inconsutil, de 1938, numa sensível aproximação ao Surrealismo. Em Anunciação e encontro de Mira-Celi, detetamos esse elemento surrealista, que podermos caracterizar como a Quarta e última fase, em que u recurso é cada vez maior ao inconsciente, o universalismo e a poesia pura mais presentes, radicalizando-se no Livro de Sonetos (1949) e no conjunto lírico " A Invenção de Orfeu" (1952)