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Há
mais de vinte anos como tradutora de literaturas em alemão e inglês, que
continua até hoje, traduzindo para o português Virginia Wolf, Doris Lessing,
Günter Grass e Botho Strauss. Aos 40 anos, após publicar dois livros de
poesia e um de crônicas, lançou-se como romancista com As parceiras, seguindo
com A asa esquerda do anjo, Reunião de família, O quarto fechado, Exílio
e A Sentinela, As Parceiras. Compõem ainda sua obra dois livros de poesia,
Mulher no palco e O lado fatal, e o premiado O rio do meio, considerado
a melhor obra de ficção de 1996.
Lya Luft é uma voz feminina que busca sua identidade literária num mundo
em que a mulher, ainda, continua à margem esquerda da sociedade. Mas que
luta para se fazer sujeito da História. Desta ficção se pode também dizer
que abandona a narrativa centrada na vida pessoal de uma personagem quase
que autobiográfica e se aprofunda no exame crítico dos múltiplos papéis
da mulher na sociedade.
Este é o discurso feminino, uma necessidade de um tempo e de um espaço
especiais. Dessa forma, não há como considerá-lo algo segregado do acervo
literário. Ele representa uma tendência altamente significativa do ponto
de vista estético e social, pois é uma representação artística da situação
da mulher feita por mulheres.
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