Cronos

Na virada de mais um século, e no dealbar de um novo milênio, deixando correr ao jeito de fita de cinema antes nossos olhos, os acontecimentos que vivemos, ou apreendemos pelas mais diversas formas , sabemos que sempre a Humanidade de debateu com a questão irrespondível do que seja o Tempo.

E neste momento, em que medos e mitos se erguem diante do terminus de um século, culminando com a entrada em um novo milênio, volta-se ás questões apocalípticas, aos fins de mundo ao fim do Tempo. O tempo, esse que não tem medida e o nosso tempo. O que contamos em horas cronometradas num relógio preso ao nosso pulso; o tempo das nossas vidas, e o Tempo, a dimensão que nos atravessa, sem que alguém possa dizer o que seja.

E para facilitar nossa vida e arrumar nossa cabeça, inventamos passado, presente e futuro. Mas o Tempo só se deixa medir pelas marcas impressas deixadas, na História, nas vidas e na não perenidade das coisas, que se transformam ou transmudam.

Dimensão única....o tempo inexplicavelmente me parece, atemporal, e mais do que sermos, corretamente vamos sendo, na transversalidade, no correr diacrónico de nossos dias. "Ninguém se banha no mesmo rio duas vezes". Da velha Grécia nos chegam os ensinamentos.

E o Futuro? Uma Ilusão?

Mais do que um lugar no tempo, um depois, o Futuro emerge como o lugar da "projeção" de nossas esperanças, nossos sonhos, nossas legitimas e reais necessidades humanas,e nossas utopias. Se aqui e agora os vivêssemos, o Futuro seria algo para que nos sentiríamos inexoravelmente caminhar, ou que saberíamos caminhar em nossa direção. Porém o Presente, como momento de vivências plenas, haveria de ser a dimensão maior com seus contornos de eternidade...algo que pensaríamos em termos de "para sempre".

O Futuro, é esta dimensão do continuo sendo, o lugar da permanente transmudação. O Futuro ,é , será sempre o que fizermos deste presente. O Futuro se joga aqui e agora, no lugar e instante em que escolhemos, esboçamos planos, desistimos ou calamos, colamos a couraça, resistimos ou entregamos os pontos. Dizer sim ou hesitar, decidir, agir , aceitar, se rebelar ou ficar parado, independentemente das circunstancias que nos são alheias, são imperceptíveis gestos no seio do universo de biliões de seres humanos, que marcarão a diferença entre o hoje e o amanhã.

E o Tempo, esse permanecerá no segredo dos deuses. A nós cabe-nos a tarefa maior de agir no tempo. É que não há colheita sem sementeira, dois estádios de um momento único: o da fruição do fruto.

 

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