| Cedo
começa, em versos ingénuos, a escrever e é como principiante da escrita
que sob pseudónimo aparece com composições em Prosa, no Jornal da Tarde.
Do nome verdadeiro há noticia em 1922. Neste ano, aos 42 anos Judith Teixeira
vive em Lisboa e aqui escreve a maior parte dos poemas que hão-de constituir
"Decadência" e "Castelo de Sombras". Publica em 1922 "Fim" e "O meu Chinês",
ambos incluídos em "Decadência", cuja primeira edição se perdeu. "Decadência"
não passa despercebido, sendo conhecida a intervenção política figurada
em arrogante moralismo, numa acção levada a cabo pela "Liga de Acção dos
Estudantes de Lisboa" e que acaba por dar o fogo como destino às obras dos
artistas considerados "decadentes, os poetas de Sodoma". Por esta altura
são também apreendidos pela policia "Sodoma Divinisada" de Raul Leal e "Canções
" de António Botto. Em 1923 a autora vê publicado "Castelo de Sombras",
um livro intencionalmente cauteloso, quando ainda se ouviam os ecos do escândalo
causado por "Decadência". Em 1925 Judith Teixeira escreve a maior parte
dos poemas que hão-de constituir "Nua". Entretanto edita e dirige "Europa"
um magazine mensal de que se conhecem apenas três números. Em 1926 é impresso
o seu ultimo livro de poemas "Nua. Poemas de Bizâncio", de que se conhecem
três edições. Entretanto instaura-se a ditadura no país, e os jornais preocupam-se
com o "28 de Maio" e a censura previa que se instala. Sobem de tom a verrinadas
contra Judith Teixeira, sendo que a autora torna publica numa conferencia
- "De Mim" - as "minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética, sobre a Moral",
a qual é transformada em livro em 1926. Em 1927 é impresso "Satânia" (Novelas).
Apesar de anunciado a aparecimento de outras obras, com a publicação de
"Nua" e "Satânica" ("Labareda- Drama em 3 actos - prosa"; "Taça de Brasas
- poemas"; "Sulcos - Novelas") tais obras permanecerão inéditas e desconhecidos
os seus manuscritos. Começa a erguer-se o muro de silencio no país, com
o regime político instaurado e a censura que haveria de durar cinco infinitas
décadas. Em 1928 vem a lume "o poemeto das sombras" no Jornal de Portugal
e "Vatícinio" poema datado de 1926, que apesar de enviado à revista Contemporânea,
que não chega a ser publicado. Judith Teixeira morre em Lisboa a 17 de Maio
de 1959, no mais completo abandono. Esquecida durante décadas, é com o dealbar
da revolução em 1974, levantados que são os muros da proibição, os autores
condenados ao ostracismo regressam do esquecimento. A autora é lembrada
por Couto Viana: "É irresistível: leio as poesias de Judith Teixeira e,
separando muito trigo de muito joio, penso-as merecedoras de melhor sorte
do que o silêncio, a ignorância a que têm estado votadas (..)". Ainda hoje
Judith Teixeira continua a não estar representada em qualquer antologia.
A edição de "Poemas", em 1996, agrupando: Decadência; Castelo de Sombras;
Nua. Poemas de Bizâncio; Dispersos e De Mim", corresponde à mais elementar
justiça, levantando assim ao tumular silencio que durante largas décadas
se fez pairar sobre a figura de Judith Teixeira.
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