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sempre declaradamente feminista, tem dedicado a maior parte da sua vida
à luta das mulheres. A partir do fim do anos sessenta, tornou-se, de uma
forma cada vez mais empenhada, "a voz feminista" , "a palavra da mulher".
Durante largos anos dedicou-se ao movimento cineclubista, do qual foi a
primeira mulher dirigente em Portugal. Em conjunto com o realizador António
de Macedo, realizou a curta metragem "Verão Coincidente", baseado no poema
seu. Pertenceu ao movimento literário "Poesia 61" e é co-autora com Maria
Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, do livro "Novas Cartas Portuguesas".
Tendo como profissão o jornalismo, dirigiu durante quatro anos o suplemento
"Literatura & Arte" do jornal "A Capital", tendo sido durante a década de
70, Crítica Literária do semanário "Expresso" e da revista "Flama" Em 1975
dirige a Página da Mulher, no jornal "O Diário". Em recente entrevista,
a autora declarava-se uma escritora descriminada no seio das letras , em
Portugal, não apenas por convictamente continuar a defender as mulheres,
mas também porque a sua escrita é profundamente carnal e erótica. O corpo
é eleito objecto de desejo, e sobre ele a poesia discorre .Gesto ousado,
este, expresso na voz de uma mulher; atitude marcadamente transgressora
num país católico, onde a expressão do desejo feminino, só em aflorações
tímidas, é consentido e manifesto.. |